Os preços do milho no mercado interno podem ter atingido o piso após semanas seguidas de pressão vinda da colheita. É o que diz o diretor da Delara Agronegócios, Alê Delara, para quem a evolução das exportações deve definir o comportamento das cotações nos próximos meses. Segundo Delara, a entrada da safrinha elevou a oferta, enquanto a demanda doméstica permanece relativamente lenta. “Mesmo com o aumento da oferta e uma demanda um pouco mais lenta, os preços não caem. Acredito que nós encontramos o fundo”, afirmou ao Broadcast Agro.
Na avaliação do consultor, o foco do mercado começa a migrar da produção para o ritmo dos embarques. Com a formação do line-up de exportação, a demanda externa tende a ganhar participação nas próximas semanas, e o desempenho dos embarques entre setembro e novembro será determinante para confirmar se os contratos futuros conseguem sustentar os níveis atuais ou voltar a recuar.
Delara observa que a incerteza sobre o tamanho da safra também diminuiu. Ele cita a colheita em Mato Grosso, que já avançou significativamente, e que Goiás intensifica os trabalhos. O Paraná também começou a retirar o cereal do campo, com produtividades consideradas boas. Para ele, o mercado já incorporou as perdas registradas em parte das regiões produtoras e tem uma visão mais clara do potencial da segunda safra. Nesse cenário, o físico permanece travado, com compradores e vendedores pouco ativos, enquanto as exportações passam a ser o principal fator para uma eventual recuperação dos preços.
Corretores nas praças de Maringá (PR) e Sinop (MT) confirmam o movimento mais intenso para exportação. Na primeira, o fluxo de milho direcionado aos terminais portuários cresce, com relatos de grandes volumes originados no Centro-Oeste sendo descarregados no Sul. Em Maringá, as referências de preço para exportação com entrega a partir de agosto e pagamento em setembro se consolidaram entre R$ 66 e R$ 67 por saca CIF Porto de Paranaguá.
Diante do direcionamento dos lotes para a exportação, compradores do mercado de ração e proteína animal ficaram sem parâmetros claros de negociação de curto prazo. Fábricas tentam balizar suas compras, mas esbarram na escassez de ofertas para entrega imediata.
Em Sinop (MT), os trabalhos de campo fluem em ritmo acelerado. O corretor Ernane Klein informou que, embora as indústrias de etanol e ração estejam bem abastecidas para o curto prazo, o mercado diferido para entregas em agosto, setembro e outubro com liquidação financeira em outubro encontra sustentação firme no patamar de R$ 50/saca FOB.
Na exportação, com negociação via cooperativas, a posição para agosto tem liquidez a R$ 47/saca FOB. Klein destaca que os negócios no disponível ocorrem de forma muito pontual, visto que boa parte dos compradores já encerrou as compras para o mês, a R$ 40/saca FOB para pequenos lotes.
Na B3, na quarta-feira, o contrato do milho com vencimento em setembro fechou o dia em R$ 68,02/saca, queda de R$ 0,25/saca. O contrato mais líquido, com vencimento em novembro é cotado a R$ 71,21/saca, recuo de R$ 0,06/saca. Na sexta-feira, o valor à vista em reais do indicador do milho Cepea/Esalq/B3 fechou em R$ 64,37 a saca de 60 quilos (+0,09%). Em dólar, o preço ficou em US$ 12,51/saca (+0,32%).
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros de milho fecharam em baixa na quarta-feira, pressionados por realização de lucros após as fortes altas das sessões anteriores e pela ausência de novos anúncios de vendas externas ao longo do dia. O vencimento dezembro do grão recuou 8,00 cents (1,72%), para US$ 4,5625 por bushel.
Fonte: Broadcast Agro