CRÉDITO RESTRITO E TENSÕES GEOPOLÍTICAS PIORAM A RELAÇÃO DE TROCA DOS FERTILIZANTES

As relações de troca dos fertilizantes seguem desfavoráveis para boa parte das culturas brasileiras. O ambiente de compra ficou mais complexo nas últimas semanas, refletindo o encarecimento de algumas matérias-primas, o aumento das incertezas geopolíticas e a menor disponibilidade de crédito para o produtor.

A ureia voltou a registrar alta depois de dez semanas consecutivas de queda. As indicações para o mercado brasileiro estão próximas de US$ 437 por tonelada CFR, em um momento de maior preocupação com a segurança das rotas marítimas no Oriente Médio.

A valorização recente do petróleo também contribuiu para sustentar os preços dos nitrogenados. A região concentra uma parcela importante da produção mundial de amônia e ureia, fazendo com que qualquer interrupção logística seja rapidamente incorporada às cotações internacionais.

No mercado de sulfato de amônio, a China passou a exigir inspeções obrigatórias antes da liberação das exportações. A medida tende a aumentar o tempo de embarque e merece atenção do mercado brasileiro, que depende fortemente do produto chinês.

Os fosfatados continuam operando em um ambiente de oferta mais apertada. O MAP permanece negociado ao redor de US$ 890 por tonelada CFR Brasil, enquanto as importações brasileiras recuaram 24% no primeiro semestre, totalizando aproximadamente 1,4 milhão de toneladas.

O enxofre continua sendo um dos principais pontos de sustentação desse mercado. Negociado próximo de US$ 1.250 por tonelada, o produto ainda reflete a redução dos embarques provenientes da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. No Brasil, as importações caíram 41% na comparação anual, reduzindo a disponibilidade da matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados.

O mercado de potássio apresenta um comportamento diferente. As cotações do KCl permanecem relativamente estáveis e as importações brasileiras cresceram 6% no primeiro semestre, alcançando 7,3 milhões de toneladas. O aumento das compras junto ao Canadá e ao Turcomenistão compensou a redução dos embarques russos, mantendo o abastecimento em um patamar confortável.

As diferenças entre os nutrientes também aparecem nas relações de troca. Na soja, são necessárias aproximadamente 34 sacas para a aquisição de uma tonelada de MAP e 15 sacas para uma tonelada de KCl.

No milho, a compra de uma tonelada de ureia exige cerca de 35 sacas, enquanto o KCl corresponde a aproximadamente 31 sacas. O MAP continua apresentando uma das piores relações de troca dos últimos cinco anos para a cultura.

No algodão, o cenário permanece semelhante, com o MAP negociado em uma das relações de troca mais desfavoráveis da série histórica. O café continua sendo a cultura com maior poder de compra entre as commodities analisadas, enquanto açúcar, trigo, arroz e pecuária ainda enfrentam condições pouco favoráveis para parte dos fertilizantes.

A diferença entre os mercados chama atenção. O potássio segue amparado por uma oferta mais confortável e menor pressão sobre os preços. Nos nitrogenados e fosfatados, o cenário continua mais sensível às oscilações do mercado internacional. Para quem ainda não definiu a estratégia de compra da próxima safra, acompanhar a evolução da geopolítica, da oferta global e das condições de financiamento será tão importante quanto observar a cotação dos fertilizantes.


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