FERTILIZANTES/ARGUS: FLUXO NO ESTREITO DE ORMUZ DEVE VOLTAR À NORMALIDADE SÓ NO FIM DO ANO

A normalização dos fluxos comerciais globais de fertilizantes no Estreito de Ormuz só deve ocorrer no fim deste ano, aponta análise de Sarah Marlow, responsável por precificação de fertilizantes em Londres da Argus Media. A movimentação de embarcações permanece restritas à dependência do retorno das seguradoras ao mercado. De acordo com a especialista, os fluxos de amônia demandarão no mínimo seis semanas para normalização após a reabertura do estreito, e o mercado como um todo deve atingir o reequilíbrio no fim do ano.

Segundo Marlow, produtores localizados no Golfo que possuem navios próprios registram melhor posicionamento para a retomada das atividades de embarque. Em contrapartida, empresas sem frota própria encontram dificuldades para a contratação de armadores dispostos a retornar à região diante de incertezas sobre um acordo de paz ou cessar-fogo. O reposicionamento dos navios gera atrasos nos carregamentos e prolonga a volatilidade no curto prazo.

Os produtores de fertilizantes acabados enfrentam desafios relativos à disponibilidade e ao custo de matérias-primas, demandando tempo para a recomposição de estoques. Adicionalmente, a tendência atual de queda nos preços faz com que os compradores adiem as aquisições até que o mercado atinja um piso, o que retarda o retorno aos patamares normais de consumo.

Os danos decorrentes da guerra mantêm a oferta global limitada, com impacto direto no enxofre, mercado que apresentava déficit estrutural antes do início do conflito. A escassez do insumo restringe a disponibilidade de fertilizantes fosfatados e sustenta as cotações mesmo após a reabertura do estreito, operando com a maioria dos produtores abaixo da capacidade instalada.

Dentre os produtos afetados, o preço da ureia registrou a maior e mais rápida oscilação de alta após o fechamento de Ormuz, seguida por retração antes mesmo da reabertura do estreito. As cotações recuaram cerca de 50% na comparação com o pico de US$ 918 por tonelada FOB Oriente Médio, apurado pela Argus em 22 de abril, operando abaixo dos níveis do início do conflito em função da expectativa de retorno das exportações da China.

Os preços da amônia registram recuo, com maior evidência no Ocidente, motivados pela queda na demanda da indústria de fertilizantes fosfatados e pela entrada de nova capacidade produtiva.

A restrição na oferta de enxofre é influenciada ainda pela interrupção anterior das exportações russas e pela suspensão atual das exportações marítimas do Casaquistão. O cenário de escassez determinou, indiretamente, a retirada das exportações chinesas de ácido sulfúrico do mercado, elevando os preços do segmento a patamares recordes.

Fonte: Broadcast Agro

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O mercado não espera a decisão ficar confortável

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