A Mosaic começou nesta semana a reduzir a produção de fosfatados, pressionada pelo encarecimento do insumo e pela oferta limitada ou menos falta do produto no mercado global. A medida foi comunicada em carta assinada pelo vice-presidente Comercial, Felipe Pecci, enviada a clientes na segunda-feira (11), a qual o Broadcast Agro teve acesso. “Diante dos custos elevados inesperados e da disponibilidade limitada, ou inexistente, de enxofre no mercado global, a Mosaic iniciará nesta semana a redução da produção de fosfatados em suas operações”, diz a companhia no documento. Segundo a empresa, a decisão é temporária e não altera sua estratégia de longo prazo. “Essa é uma resposta temporária a condições extraordinárias do mercado, e não uma mudança na estratégia de longo prazo da Mosaic”, afirma na carta.
O enxofre é uma matéria-prima relevante para a produção de fertilizantes fosfatados, como MAP e DAP, usados na adubação agrícola. Na comunicação aos clientes, a Mosaic afirma que “um suprimento estável de enxofre é fundamental” para suas operações. “Para cada 10 toneladas de fertilizante DAP ou MAP produzidas, são necessárias quatro toneladas de enxofre”, diz a empresa.
Segundo a Mosaic, a volatilidade e a escassez do insumo tornaram imprevisíveis a disponibilidade e a viabilidade econômica do enxofre. “Nesse contexto, a redução da produção é nossa única opção para manter as operações até que as condições de abastecimento se estabilizem”, afirma a companhia.
A empresa também indica que ainda não há prazo para normalização plena da produção. “É difícil prever quanto tempo durará a instabilidade no fornecimento de enxofre. A melhora depende da reabertura das cadeias de suprimentos globais e das rotas marítimas, fatores que estão fora do controle de qualquer empresa”, diz a carta.
A redução ocorre em um momento de pressão sobre os custos da companhia e sobre a cadeia global de fosfatados. No primeiro trimestre de 2026, a Mosaic registrou prejuízo líquido de US$ 258 milhões, revertendo lucro de US$ 238 milhões em igual período do ano anterior. O resultado foi afetado por itens não recorrentes, incluindo encargos de US$ 442 milhões relacionados à interrupção das operações nas unidades de Araxá e Patrocínio, no Brasil.
No balanço trimestral, a companhia também retirou sua projeção de produção de fosfatados para 2026, citando restrição na disponibilidade de matérias-primas e preços recordes do enxofre. A empresa informou ainda que iniciaria cortes parciais de produção em unidades da Louisiana e da Flórida, nos Estados Unidos, além de reduzir operações no Brasil a partir de maio.
O segmento de fosfatados foi um dos mais pressionados no trimestre. O Ebitda ajustado da divisão caiu de US$ 276 milhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 115 milhões em igual período deste ano, apesar do aumento no volume de vendas. A companhia atribuiu a deterioração ao avanço dos custos de matérias-primas, especialmente enxofre e amônia, além de paradas de manutenção.
No Brasil, a Mosaic Fertilizantes registrou prejuízo operacional de US$ 422 milhões no trimestre, impactada pelos custos de fechamento das minas. O Ebitda ajustado da operação brasileira foi de US$ 79 milhões, queda de 35,2% ante os US$ 122 milhões de um ano antes.
Na carta, a Mosaic afirma que trabalha para encontrar alternativas e manter o atendimento aos clientes. “A Mosaic está trabalhando ativamente para encontrar alternativas e soluções, e continua comprometida com a agricultura mundial e a segurança alimentar global”, diz o documento. A companhia acrescenta que continuará fornecendo produtos de seu portfólio durante o período, “em especial nas linhas de biológicos e de fertirrigação”.
Fonte: BroadCast Agro – por Gabriel Azevedo