A demanda global por etanol pode ganhar um novo impulso com o aumento do consumo na navegação marítima. O setor tem potencial de adicionar até 32 bilhões de litros por ano até 2040, considerando apenas o crescimento projetado do uso de bunker, combustível utilizado por navios. A avaliação é do vice-presidente de Trading da Inpasa, Gustavo Mariano, e foi apresentada durante a 3ª Conferência Internacional Unem Datagro sobre Etanol de Milho.
Segundo o executivo da empresa produtora de etanol de milho, o potencial está associado à expansão da demanda energética do transporte marítimo – e não à substituição total dos combustíveis fósseis atualmente utilizados na navegação. O cálculo parte da projeção de aumento do consumo global de bunker, que deve passar de cerca de 309 bilhões de litros em 2024 para aproximadamente 330 bilhões de litros em 2040. Esse crescimento de cerca de 21 bilhões de litros, quando convertido em equivalente energético, representaria aproximadamente 32 bilhões de litros de etanol por ano. O movimento, de acordo com Mariano, já começou, mesmo antes de definições regulatórias mais amplas. “Antes mesmo de haver a regulação, já começaram a encomendar navios com motores dual flex.”
No mercado doméstico, o principal vetor de curto prazo é o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina. Um eventual avanço ainda em 2026, do E30 para o E32, poderia gerar cerca de 950 milhões de litros adicionais de demanda no ano. Em um horizonte mais longo, a ampliação para o E35 elevaria esse volume em até 3,75 bilhões de litros por ano no ciclo Otto.
Outro eixo relevante está na expansão do consumo de etanol hidratado, especialmente fora do Centro-Sul do Brasil. Mariano destacou que há distorções regionais importantes. No Nordeste, por exemplo, a elevação da participação do hidratado para 30% poderia adicionar cerca de 4,25 bilhões de litros por ano à demanda. “É uma região de vulnerabilidade socioeconômica, onde o etanol pode trazer um combustível competitivo e viável”, disse.
Apesar do potencial de crescimento, o executivo apontou entraves estruturais para a expansão do consumo. Entre eles, o modelo de precificação concentrado em São Paulo. “Para abrir demanda no Nordeste, usando os modelos tradicionais, precisaríamos baixar os preços de São Paulo, o que acaba sendo danoso para a indústria”, afirmou.
Outros desafios incluem a logística de escoamento, o desenvolvimento de indicadores regionais de preços e o avanço do arcabouço regulatório internacional, especialmente para viabilizar novos usos do etanol em mercados como o marítimo.
Fonte: BroadCast Agro